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Família Portofino,

Nesta terça-feira (5), aconteceu o primeiro dia do Bradesco BBI 8th Brazil Investment Forum, evento organizado pelo Bradesco Private Bank. O dia contou com diversos painéis sobre diferentes assuntos que estão em destaque no cenário econômico e político atual. Para falar sobre esses assuntos, nomes nacionais e internacionais do mercado, como Affonso Pastore, Luis Stuhlberger, Gustavo Montezano, William Dudley, entre outros, marcaram presença no evento.

Confira um resumo dos painéis desta terça-feira.

Desafios econômicos pós-eleições no Brasil

O primeiro painel contou com a presença de Affonso Pastore, ex-Presidente do Banco Central, Nelson Barbosa, ex-Ministro da Economia e ex-Ministro do Planejamento, e Gustavo Franco, Managing Partner da Rio Bravo Investimentos e ex-Presidente do Banco Central, discutiram suas visões sobre o que esperar para a economia brasileira após as tão aguardadas eleições presidenciais de 2022.

Os especialistas, além de falarem sobre os prognósticos e desafios pós-eleições, relembraram o período de pandemia, quando a taxa Selic bateu 2% ao ano, para contextualizar o momento de inflação vivido atualmente. Para Pastore, por exemplo, ele teme que a inflação não diminua o tanto quanto se espera. 

Além disso, eles também comentaram sobre a importância de se ter uma política fiscal que estimule o crescimento. “O próximo governo vai ter que desarmar uma bomba fiscal”, disse Barbosa.

Na parte final do debate, os economistas comentaram sobre a Petrobras e a privatização das estatais durante o último governo. A alta dos combustíveis também esteve em pauta, a qual os profissionais falaram sobre possibilidades para o tema.

As melhores ideias de investimentos para 2022

Na sequência do evento, foi a vez de Luis Stuhlberger, sócio fundador e gestor de carteira da Verde Asset, Carlos Woelz, sócio fundador e gestor de carteira da Kapitalo Investimentos, e Daniela Costa-Bulthuis, gestora de carteira na Robeco, analisarem o que o cenário econômico atual e quais, na visão deles, são as melhores ideias de investimentos.

Stuhlberger traçou um panorama desde o início da pandemia de coronavírus e destacou o período a partir de julho de 2021, dizendo que o “Brasil voltou ao inferno” e que “foi um período insano”. Ele relembrou que a crise dos precatórios, somada a todo o temor acerca do teto de gastos, fez a Bolsa de Valores sofrer uma grande queda no segundo semestre de 2021.

O gestor analisou que o Brasil está em um momento que vai se beneficiar muito das circunstâncias externas. Stuhlberger ainda ressaltou que acha que é a primeira vez que ele vê, apesar da alta de juros nos Estados Unidos, o Brasil sendo beneficiado nesse cenário. Ele também disse que acredita em um mundo mais inflacionista depois da crise de Covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia. 

Costa-Bulthuis abordou as opções que o investidor de mercados emergentes tem. Ela listou que na China há o risco de interferência nas empresas e a crise no setor imobiliário e de construção, a Europa Central está vivendo um momento muito arriscado devido à guerra , o Oriente Médio não apresenta tantas opções e a África do Sul tem a questão do desemprego.

Neste sentido, ela explicou que a América Latina tem mercados diversificados e com moedas líquidas. Ou seja, para a gestora, esse mercado voltou a ser o centro e o polo a se investir nos mercados emergentes em 2022. Contudo, ela fez questão de ressaltar os riscos de crises políticas, não só no Brasil.

Falando sobre o Brasil, Costa-Bulthuis explicou que o Banco Central do Brasil se antecipou aos outros em relação ao aumento da alta de taxas de juros. Ademais, o fator valuation, de acordo com a fala da gestora, com os preços dos ativos muito descontados também é um fator favorável aos investimentos no Brasil. Em outras palavras, ativos baratos, moeda com tendência de valorização, falta de opções e a conjuntura favoreceram a entrada de investimentos estrangeiros.

No fim do painel, a gestora comentou que os setores de commodities, os bancos e as empresas pagadoras de dividendos são investimentos que ela vê com bons olhos, além de dizer que não é a hora de voltar para growth.

O que é necessário para atrair investimentos em infraestrutura para 2023-26?

Ainda na parte da manhã do evento, Antônio Carlos Sepulveda, CEO da Santos Brasil, Bruno Serapião, Sócio Senior na Pátria Investimentos, e Marco Cauduro, CEO da CCR, discutiram sobre o setor de infraestrutura.

Sepulveda comentou que a área tem espaço para melhorar, principalmente na parte de regulação. Nas palavras do CEO, o Brasil é hiper regulado com um sistema que peca pelo excesso de regulação.

Em relação ao tema ambiental, Sepulveda explicou que há um anseio de países e pessoas sobre o tema. Ele falou que é um ponto indissociável a todos os projetos e que o licenciamento ambiental no nosso país não é diferente de nenhum outro.

Em suma, os três convidados falaram sobre investimentos, contratos e disponibilidade de capital atualmente.

Sessão Especial: William Dudley, ex-Vice Chairman do Federal Open Market Committee e ex-Presidente do Fed de NY

William Dudley analisou o cenário econômico nos Estados Unidos e a participação do Federal Reserve. De acordo com ele, o Fed teve talvez quatro grandes erros.

O primeiro seria a nova política monetária adotada. “Estamos em uma situação que a política monetária precisa estar mais rígida”, disse o economista. O segundo erro é que o banco central americano estava muito preocupado em reduzir a compra de ativos. Terceiro erro foi a avaliação do mercado de trabalho. Dudley comentou que o Fed não considerou que a pandemia resultaria em um mercado mais rígido. O quarto, e último, erro foi considerar a inflação transitória. Ele afirmou que está “bem confiante” que a política monetária vai ser apertada nos próximos meses.

Em relação à guerra na Ucrânia, Dudley pensa que os Estados Unidos estão em um lugar melhor do que os outros países. Sobre o valor das commodities, ele comentou que depende muito do que acontecer no mundo e de quanto a guerra vai pressionar os preços. 

BNDES e a Nova Economia: Os pilares do desenvolvimento sustentável 

Nos painéis da parte da tarde, Gustavo Montezano, CEO do BNDES, e Marcelo Serfaty, Presidente do Conselho do Conselho de Administração do BNDES, iniciaram os trabalhos comentando o papel do banco.

Serfaty disse que o Brasil tem a capacidade de atrair muito capital e de se reinserir nas cadeias globais. “O BNDES pode ter papel importante na reinserção do setor privado nas cadeias globais. Vejo na guerra hoje uma oportunidade para o Brasil”, afirmou o presidente do conselho.

Já Montezano explicou que o BNDES tem um papel chave. Na opinião dele, o banco tem que atuar de forma multidimensional para descentralizar a economia, quanto mais a economia ser descentralizada mais sustentável e inovadora ela será. 

Foco em ESG: Desafios e oportunidades para produtores de commodities na era verde

Andrew Lichter, Vice-presidente de Estratégia e Desenvolvimento Corporativo da Mobius Risk Group, e Vinicius Nonino, Diretor de Novos Negócios na Suzano, foram os responsáveis por falar sobre a agenda ESG.

Lichter disse que ele não sabe o que os governos vão fazer sobre regulamentações, mas imagina que devem haver alguns padrões de relatórios globais.

Por outro lado, Nonino afirmou que a Suzano quer ser referência em sustentabilidade a partir das iniciativas que os colocam em direção à agenda ESG. Ele também comentou que o Brasil precisa aprovar as leis do setor. Para ele, “é muito desafiador”, pois é necessário ver com uma perspectiva local de interesses políticos. “Enquanto olharmos com esses olhos será difícil avançar”, finalizou.

O renascimento das juniors E&Ps no Brasil

O penúltimo painel do dia teve a presença de Décio Oddone, CEO da Enauta e ex-Diretor da Agência Nacional do Petróleo, e Ricardo Savini, CEO da 3R Petroleum.

Oddone comentou sobre a onda de vendas dos ativos da Petrobras e disse acreditar que vamos ter um mercado secundário desses ativos da estatal.

Savini explicou que o momento das empresas juniores e majors são diferentes. Falando sobre a 3R, ele falou que estão em um momento quase embrionário e, por isso, é difícil falar sobre pagamento de dividendos. “É o momento de pagar a Petrobras pela compra dos ativos. É prematuro discutir sobre dividendos”, falou o CEO.

Eleições 2022: Visão de consultores políticos e instituto de pesquisa

Para finalizar o primeiro dia de evento, o último painel, com duração de 1h30, recebeu Chris Garman, Diretor-Executivo para as Américas da Eurásia Group, Fernando Abrucio, Consultor Político, Luciano Dias, Consultor Político e Sócio da CAC, e Márcia Cavallari, CEO da IPEC.

Os analistas falaram sobre o que esperam para as eleições deste ano e como os candidatos devem se comportar durante a corrida eleitoral. Garman destacou que há dois candidatos, Lula e Bolsonaro, “com credenciais ante sistemas muito fortes”. 

Ademais, para Abrucio, essas eleições não serão como as de 2018. Isso pois naquela época o tópico era corrupção, mas, atualmente, o tema mais forte é o bem-estar da população. O consultor ponderou que a principal característica dessa eleição é o plebiscito sobre o bolsonarismo. “O grande ponto é olhar para o governo Bolsonaro, avaliar e votar”, comentou.

Por fim, Cavallari disse que, no decorrer da corrida eleitoral, Lula pode perder quantidade de votos porque pode resgatar o que já aconteceu em outros mandatos. Bolsonaro, contudo, tem chance de crescer. “É comum vermos os governantes melhorarem ao longo da campanha”, finalizou.

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As opiniões expressas aqui são dos palestrantes e convidados do evento.

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