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Família Portofino,

O Bradesco BBI 8th Brazil Investment Forum, evento promovido pelo Bradesco Private Bank, chegou, nesta quarta-feira (6), ao segundo dia de painéis. O evento foi repleto de grandes personalidades do cenário econômico e político, que discutiram diversos assuntos de importância para o dia a dia do investidor. 

Clique aqui para saber como foi o primeiro dia.

Mesa redonda: O que esperar dos investimentos em Private Equity e Venture Capital em 2022?

O pontapé inicial do segundo dia teve em pauta os mercados de Private Equity e Venture Capital em 2022. Além de discutirem suas experiências e expectativas, Rafael Padilha, Head de Private Equity, Luiz Ribeiro, Diretor Executivo e Co-Head do escritório da General Atlantic no Brasil, e Joaquim Lima, Sócio na Riverwood Capital, também comentaram sobre os riscos e cuidados nesses mercados.

No caso do investidor-gestor, para Padilha, é importante estar atento ao que está acontecendo no cenário macroeconômico, focar no micro e analisar de forma “detalhista” o time da empresa que está investindo. Do ponto de vista do investidor, o economista disse que a principal preocupação tem que ser o timing, ter muito claro em mente que é um investimento a longo prazo e escolher um gestor com track record de sucesso.

Ribeiro concordou com as colocações de Padilha e acrescentou que o investidor tem que ter clareza do tipo de investimento, setor e exposição que ele está investindo. Ou seja, ter certeza que o investimento faz sentido ao perfil de risco.

Sessão Especial com Nick Beighton, ex-CEO da ASOS

Na sequência, Nick Beighton, ex-CEO da ASOS, loja britânica de roupas e artigos de beleza destinada a jovens adultos, falou sobre as mudanças do varejo e a implementação cada vez maior do e-commerce.

Beighton comentou sobre os desafios em mudar para o mobile. Nas palavras dele, a empresa teve que ter bons engenheiros de tecnologia e precisaram pensar em diferentes abordagens. “A experiência mobile é muito melhor que a desktop”, disse o ex-CEO. Ele explicou que o desktop é para adquirir clientes, enquanto no mobile é possível criar conexões com os clientes. 

“Os aplicativos se tornaram uma conexão melhor para os nossos clientes. Portanto, aperfeiçoamos o nosso user experience. Trabalhamos com inteligência artificial também para fazer com que o cliente prestasse mais atenção no aplicativo e ficasse mais engajado”, contou Nick.

O executivo ainda falou sobre conteúdo e como ele é importante para atrair os clientes. Ele ressaltou que quanto mais o consumidor estiver engajado com o software, melhor será a experiência. Ademais, com a inteligência artificial ele conseguiu diminuir a quantidade de cliques que os usuários precisavam dar para realizar suas ações e, segundo ele, “os clientes amam isso”. No campo de conteúdo, ele precisa ser inspirador e engajador, principalmente quando trata-se do mercado de moda.

Bancos digitais: A rentabilização de clientes como desafio

O terceiro painel do segundo dia de evento abordou um tema alvo de muitas questões e discussões, tanto de investidores quanto de clientes. Jean Sigrist, Presidente do Conselho de Administração do Neon, João Vitor Menin, CEO do Banco Inter, e Renato Ejnisman, CEO do Next, debateram sobre as inovações e os desafios do mercado de bancos digitais.

Dentre os assuntos discutidos pelos convidados, podemos destacar a análise sobre a questão da relação entre preço/serviço. Menin disse que o Inter sempre aposta em ter uma gama de serviços bem completos, mas ponderou que investem muito na questão de preço. Ele complementou dizendo que alinha experiência e preço, porém cada cliente pode ter um olhar diferente, então “tem que ser bom nos dois”.

Para Ejnisman, com o tempo a experiência vai ser mais relevante. Nas palavras dele, o passar do tempo vai mostrar que entender o cliente e se antecipar às suas expectativas vai ser mais importante. Ele também abordou a questão da monetização, a qual disse acreditar que não será um mercado de winner takes all. 

Sessão Especial com Charles Gave – Sócio fundador da Gavekal Research

A sessão especial com Charles Gave teve uma apresentação do convidado, no qual ele falou sobre os principais fatores econômicos dos últimos 25 anos. Além disso, também comentou a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Na questão da inflação, ele afirmou que estamos entrando num mundo inflacionário e a inflação ainda vai subir mais. Por fim, disse que na construção de um portfólio, ao se considerar a inflação, é importante olhar a aceleração e não o nível.

A abertura do mercado “livre” de energia elétrica no Brasil – Desafios e oportunidades para distribuidoras, geradoras, comercializadoras e consumidores

Na parte da tarde, Elisa Bastos, Diretora da Aneel, e Ricardo Lisboa, Presidente da Abraceel, foram os responsáveis por compor o painel que teve como tema o mercado de energia elétrica no Brasil.

Lisboa fez questão de pontuar que toda e qualquer mudança estrutural traz medo. De um lado, ele comentou que esse receio atrasou a abertura, mas, por outro lado, ajudou a trazer soluções para problemas e riscos. “Estou bastante otimista e acho que é uma virada importante para o país”, afirmou. Ricardo contou que no futuro as pessoas teriam que saber de quem contratar energia.

Em geral, a opinião é de que o mercado livre aumentaria a competição e poderia melhorar a qualidade de atendimento do consumidor.

Sessão Especial com Ricardo Reis, especialista em Política Monetária e professor de Economia na London School of Economics

Ricardo Reis realizou uma análise sobre os desafios da política monetária em 2022 e para os próximos anos. Logo no início de sua fala, o professor fez questão de deixar claro: “A inflação pode, de fato, subir de forma consistente. Estamos com um problema grave”.

Para explicar essa afirmação, ele traçou um panorama desde o começo da pandemia, explicando que o período trouxe enormes mudanças e desafios para a economia global, tais como: dispersão das fortunas das empresas, trabalho a distância, transição climática, digitalização, entre outros. Reis definiu essas questões como desafios de longo prazo, mas disse que são poucos comentados porque há um problema mais urgente. 

Além disso, ele explicou que há 12 meses tivemos a rápida recuperação da economia e a consequente alta da inflação. Neste cenário, os bancos centrais mantiveram um nível histórico expansionista ao invés de mudar a rota para conter a inflação.

Dessa forma, o professor concluiu que há grandes desafios estruturais para os bancos centrais, que todo o foco está na inflação depois dos erros dos últimos 12 meses e pressão da dívida pública. No caso da inflação, Reis opinou que “baixá-la sem causar uma recessão seria um feito extraordinário”.

Assimetria regulatória no sistema bancário

Isaac Sidney, CEO da Febraban, Bruno Balduccini, Parceiro na Pinheiro Neto Advogados, e Rubens Sardenberg, Diretor de Assuntos Econômicos, Regulamentação e Riscos da Febraban, foram os selecionados para debaterem sobre o sistema bancário no evento.

Os convidados discutiram sobre o sistema bancário e as novas regulações do Banco Central. Ademais, falaram sobre o crescimento das fintechs e as questões que elas trazem para o BC lidar. Sobre as fintechs, Balduccini foi categórico ao dizer que “se alguém das fintechs falar que não esperava as mudanças regulatórias estará mentindo”.

Outro tema abordado foram as criptomoedas, com Isaac Sidney pontuando que é um tema que merece atenção.

Sessão Especial com Henrique Meirelles, secretário da Fazenda e Planejamento do governo de São Paulo, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central

O penúltimo painel do dia contou com Henrique Meirelles como convidado para falar sobre o atual cenário econômico e político. 

Em sua primeira fala, Meirelles fez uma rápida análise sobre as últimas décadas. Ele comentou que no período de 2000-2010 o Brasil cresceu bastante, com média de 4% mesmo com as crises. Já nos anos de 2011-2020, segundo o secretário, foi de altos e baixos, com um governo Dilma de muita interferência e gastos exagerados, movimentos que geraram muita desconfiança na economia. 

Meirelles também comentou sobre o teto de gastos. Ele disse que é normal que todos queiram disputar o orçamento para suas regiões e estados, mas o problema, nesse caso, é a necessidade de haver um limite, uma âncora que permita uma gerência inteligente. Para ele, é preciso voltar a respeitar o teto até 2026 e, a partir desse momento, definir um novo critério.

Outro assunto abordado diz respeito à autonomia do Banco Central e a importância disso. O ex-ministro explicou que a decisão de dar autonomia à instituição é fundamental, pois proporciona condições de fazer a política adequada. Meirelles complementou dizendo que é importante que o próximo governo faça política fiscal para dar âncora na economia e na inflação, ajudando o BC.

Por fim, o ex-presidente do BC foi questionado sobre a polêmica do preço dos combustíveis. Em relação aos combustíveis, ele falou que não pode haver intervencionismo na Petrobras. “Se for isso, é melhor deixar como está”, afirmou Meirelles. Ele foi objetivo ao dizer qual a solução: “Competição”. “Divide a Petrobras em 3, 4 companhias, privatiza e o mercado determina o valor de competição. Não criar monopólio privado, mas dividir a companhia”, disse.

Desafios e oportunidades para os bancos incumbentes

Para finalizar a quarta-feira do fórum, o evento recebeu três CEO de grandes bancos do Brasil. Fausto de Andrade Ribeiro, CEO do Banco do Brasil, Octavio de Lazari, CEO do Bradesco, e Milton Maluhy, CEO do Itaú, comentaram sobre tudo da participação dos bancos digitais no mercado.

Lazari comentou que enxerga essas instituições como concorrentes em nichos específicos, mas, de forma geral, não, a não ser algumas que já atingiram um certo patamar. Do ponto de vista dos investidores, o CEO destacou que eles já começam a olhar as coisas de uma forma diferente, principalmente com o novo momento da taxa de juros.

Maluhy concordou com a colocação do executivo do Bradesco, e acrescentou que são a favor da competição e concorrência dentro das regulamentações. Ele ainda disse que a questão do preço (anuidade, isenção de taxas) foi uma boa porta de entrada para esses novos players. O CEO do Itaú também mencionou a taxa de juros, explicando que no cenário oposto ao atual, de baixa taxa de juros, tem mais espaço para capital de risco.

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