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Como bem sabem meus leitores, evito enveredar-me pelos meandros do cenário político. Esta semana, no entanto, não me deixou escapatória. Mercados financeiros balançaram ao sabor de cada palavra, gesto e inflexão, dos variados atores do meio, tanto localmente como nos EUA. Não menos importante, aparentemente desenha-se (mais) uma importante crise hídrica e energética – mas, disso falaremos na próxima semana.
Lives
Eventos corporativos do mercado financeiro brasileiro estão rapidamente ganhando espaço como palco de opinião e de tendências no campo político. Nesta semana, em um importante encontro (virtual, como manda o figurino) de uma grande corretora, tivemos a presença dos bastiões da política neste pais: Guedes, Lira, e Campos Neto – entre outros. As falas tranquilas, construtivas e asseguradoras de que o ruído das últimas semanas faz parte do processo democrático, e que de forma alguma sinalizam algum tipo de ruptura, soaram como música aos ouvidos do “senhor mercado”. A bolsa, por exemplo, após testar os míticos 117 mil pontos dos quais falei na carta passada, volta a demonstrar apetite pela barreira de 120 mil. Situação praticamente idêntica ao otimismo que vimos em Maio, quando comentei na carta #89 sobre um evento do banco BTG. Sei que me repito ao insistir que como investidores devamos enxergar mais as florestas do que árvores individuais. O comportamento dos mercados esta semana parece confirmar a tese de que o mercado tende a ser dominado por sentimento e expectativas no curto prazo, e no longo, por lucros e resultados.
Tapering
Sem dúvida, no entanto, o grande destaque da semana não foi local. O pronunciamento do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole, que ocorreu hoje pela manhã, era amplamente aguardado pelos 4 cantos deste nosso globo. Ainda que o gato esteja claramente no telhado, Jerome foi claro em reforçar o compromisso com continuar apoiando a economia americana, e que a retirada de estímulos seria ainda prematura. Relembrando, o tal “tapering” – mal traduzido pelo google como “afilamento” – denota justamente este processo de deixar a economia caminhar por pernas próprias, após, por exemplo redução de taxas de juros e sucessivos e trilionários pacotes de ajuda pós-Covid. Bolsas mundo afora, inclusive a nossa, comemoram que o “show must go on”. Em tempo, o evento foi virtual e mais uma vez impediu que os participantes aproveitassem as fantásticas paisagens desta cidade de nome estranho.

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50 anos
Já que estamos no tema, e naquela geografia, me cumpre lembrar do aniversário de 50 anos do que ficou conhecido como “Nixon Shock”, quando, em agosto de 1971, o então presidente americano, abandonou o padrão-ouro para reservas internacionais, efetivamente enterrando o sistema Bretton Woods, e tornando o dólar uma moeda fiat. Proponentes de moedas digitais provavelmente apontariam para este fato histórico como o embrião do movimento que vemos hoje. Já críticos de teorias monetárias como a MMT talvez culpem esta decisão pela criatividade fiscal que vemos desde a crise de 2008. Uma coisa parece certa: 50 anos depois, a política monetária daquele país parece continuar ditando o compasso do resto do mundo.
Entendendo Riscos
Buscando dar um tempero mais saboroso à carta da semana, volto à um tema mais secular. Ao construírem-se portfólios, muito se fala de qual risco o investidor está disposto à correr. A seleção de um perfil de investidor é útil, porém não suficiente. Risco é uma daquelas variáveis difíceis de quantificar, e que provavelmente merece uma carta dedicada ao tema. Mas, uma regrinha pessoal (ou heurística, como os acadêmicos prefeririam) é que, se quando os mares estão revoltos, como parece ser o momento, o investidor anda dormindo mal, então provavelmente o nível de risco da carteira está alto demais e precisa ser repensado. Quero adicionar um segundo elemento à gestão de risco. Não basta quantificar a tolerância ao risco, é necessário entender a real capacidade de se tomar risco, algo muito mais relacionado ao momento histórico daquela família, o horizonte temporal de seus integrantes, e o mapeamento de outros fatores que afetam o patrimônio global. Ambas avaliações, a tolerância e a capacidade, são necessariamente qualitativas e juntas determinam a real composição de ativos do portfólio a ser sugerido.
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A recomendação desta semana é pelo excelente filme de ficção científica “Ex Machina”, de 2014, disponível no Netflix. Uma excelente pedida para meu leitor que, como eu, não quer mais uma interminável série “para casar”. Sucesso absoluto de crítica, a película explora as fronteiras éticas, culturais e sociais da inteligência artificial (AI), porém travestida de uma deliciosa história de sedução entre um programador e uma linda androide. Uma ressalva, ainda que o filme seja absolutamente brilhante, há um certo ar de “2001, uma odisseia no espaço”. Se meu leitor absolutamente odiou a obra-prima de Stanley Kibrick de 1968, talvez minha recomendação exija certa cautela. E, para quem curte fazer post-mortem de tramas, há uma série de análises na Internet sobre os temas e mensagens subliminares por trás da narrativa. Uma delas aponta que o nome da androide, Ava, seria uma clara referência à figura bíblica de Eva. Já para mim, é uma clara homenagem à matemática inglesa Ada Lovelace (1815-1852), filha do poeta Lord Byron, amplamente reconhecida como a primeira programadora do mundo, após ter publicado o primeiro algoritmo que poderia ser rodado numa máquina – a qual não seria realmente viável por mais de 100 anos depois de sua morte!

Esta carta semanal tem o objetivo de fazer um apanhado breve e bem-humorado das notícias do mercado financeiro, com foco nos temas de gestão de riqueza e planejamento financeiro. O texto não constitui nenhuma oferta de produto financeiro, ou recomendação de investimento. As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem o posicionamento oficial da Portofino Multi Family Office.
Pedro Saboia é sócio da Portofino Multi-Family Office, investidor profissional, CEA (Certificação de Especialistas em Investimentos ANBIMA) e Consultor de Valores Mobiliários autorizado pela CVM, conforme instrução 592. A Portofino cuida das pessoas para que alcancem um futuro financeiro equilibrado – com ética, transparência e responsabilidade. Quer conhecer mais? Agende uma conversa.

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