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Família Portofino,

Precisávamos de boas notícias e elas vieram. Finalmente a PEC dos Precatórios foi aprovada em duas votações na Câmara de Deputados e no Senado. Nunca o ditado “melhor um fim horroroso do que um horror sem fim” se mostrou tão apropriado. Os mercados comemoram. É verdade que ainda faltam algumas arestas a serem aparadas dado que houve alterações no texto e isso implicará em nova votação na Câmara.

Sempre existirão riscos, mas nos parece que essa página foi finalmente virada e daqui para frente poderemos nos concentrar mais nos fundamentos e menos nos sentimentos.

E por falar em fundamentos, nossa percepção de que o aperto monetário em curso impactaria a atividade em 2022 acabou por se mostrar otimista demais. O PIB do 3º trimestre veio ligeiramente negativo e o do 2º trimestre também foi revisado para baixo. Após dois trimestres negativos consecutivos, estamos em recessão técnica. E para reforçar esse cenário de desaceleração, a produção industrial de outubro, divulgada hoje, veio em -0,6% contra as expectativas do mercado de crescimento de 0,8%.

Essa combinação de uma solução ao imbróglio fiscal com dados bem piores na economia pesou sobre a nossa curva de juros. O banco central se encontrava sob enorme pressão para aumentar o ritmo de aumento da SELIC para passos de 2%. Economistas de renome ecoavam aos quatro ventos o risco de desancoragem da nossa inflação. Renderam-se aos fatos. A estratégia do Banco Central de esperar para agir, pelo menos por enquanto, se mostra acertada. Foi sepultada a possibilidade de aumento de 2% na reunião do COPOM da próxima semana e será certamente mantida a estratégia de aumento em passos de 1,5%. A curva de juros desabou reforçando o acerto na nossa recomendação de posicionamento prefixado em ativos isentos de imposto de renda.

Lá fora, a mudança do discurso do FED para uma postura mais preocupada com uma inflação potencialmente mais estrutural nos Estados Unidos preocupou os mercados. Isso foi particularmente incômodo por acontecer no ápice da incerteza quanto à ameaça da nova variante ao processo de reabertura da economia. Por outro lado, os dados de emprego divulgados hoje se mostraram mais fracos do que o esperado, o que poderá abalar a certeza do FED a respeito da necessidade de se acelerar a retirada de estímulos.

E por falar em pandemia, é verdade que a base de dados de infectados pela variante Ômicron é ainda estatisticamente pouco significativa, mas os dados observados até agora se mostram menos preocupantes.  Tudo leva a crer que a nova cepa tem uma maior transmissibilidade. Entretanto, os casos têm se mostrado mais brandos que, no final das contas, pode ser uma boa notícia. Na próxima semana teremos certamente dados mais robustos, mas esta combinação de uma transmissão maior de uma variante que provoque casos mais amenos da doença sem impacto importante em hospitalizações e com a alguma eficácia das vacinas atuais, poderá vir a ser uma boa notícia para os mercados.

Por fim, foi dada a largada oficial das eleições com a definição da candidatura à presidência do governador de SP, João Dória. Em paralelo, novas pesquisas eleitorais mostram uma surpreendente competitividade do ex-ministro Sérgio Moro. Sem qualquer juízo de valor quanto a qualidade do candidato, foi positivo observar um potencial candidato da terceira via com surpreendentes dois dígitos nas pesquisas. Os mercados ainda não tiveram tempo para digerir esta informação, mas certamente deverão incorporar essa ao rol de boas notícias do fim do ano.

É cedo para comemorar, mas não dá para descartar pelo menos uma redução da volatilidade dos mercados nas próximas semanas.

Em pouco tempo, o Congresso Nacional entra em recesso. A ausência de notícias poderá se mostrar como uma boa notícia.

Tenham todos um excelente fim de semana.

Edu Castro
Chief Investment Office
Portofino Multi Family Office

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Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Office) na Portofino Multi Family Office.

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.