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Família Portofino,

Até ontem, a pandemia vinha sendo tratada pelos mercados como algo sob relativo controle. Apesar do recente aumento de casos, principalmente na Europa, crescia o percentual da população mundial vacinada e as vacinas mostraram-se eficazes em evitar aumento significativo de casos graves e consequentemente hospitalizações.
Esse cenário fez com que se minimizassem as hipóteses de interrupção do processo em curso de retomada da economia mundial.

Essa maior tranquilidade foi abalada hoje com o aparecimento de uma nova variante do Coronavírus.
A variante Ômicron, como será aparentemente apelidada, foi primeiramente detectada em Botsuana, depois na África do Sul e por último em Hong Kong em um viajante que retornou da África.

Os mercados tiveram forte reação. As bolsas despencaram. As europeias caíram por volta 4%, Estados Unidos e Brasil, -2,3% e -3,4% respectivamente. O petróleo caiu mais de 13% precificando o risco de potencial desaceleração da atividade. A reação mais exacerbada dos mercados pode em parte ser explicada pela menor liquidez gerada pelo feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, mas não se pode negar o processo de redução de risco que essa incerteza disparou.

De maneira quase esquizofrênica, após semanas de discussão sobre a necessidade de se acelerar a retirada de estímulos dada a percepção de uma inflação mundial aparentemente mais estrutural, os preços dos ativos passaram a considerar a possibilidade de um cenário alternativo de redução forçada de mobilidade interrompendo o processo de retomada em andamento.

Por que a descoberta da nova variante Ômicron provocou reação tão intensa nos mercados? O sequenciamento genético dessa nova variante detectou um número sensivelmente maior de mutações quando comparada às anteriores. Muito pouco se sabe sobre a transmissibilidade e letalidade da Ômicron, mas suas características pós mutações podem implicar em uma maior capacidade de contaminação e eventual resistência às vacinas disponíveis.

A boa notícia é que os atuais testes do tipo PCR se mostraram eficazes na detecção da nova cepa. Isso faz com que políticas de contenção da transmissão possam ser mais facilmente implementadas. Todavia, muitas perguntas permanecem sem respostas, o que fará com que os mercados permaneçam apreensivos por algumas semanas. Determinar sua letalidade e consequente aumento de hospitalizações será crucial. Não mais que 10 casos foram oficialmente detectados. Determinar o quão contido ou espalhado está esse novo surto também será necessário.

Já em resposta a essa nova crise, vários países impuseram restrições de viagens à África do Sul. E por fim, o mais importante será determinar a resposta das atuais vacinas a uma variante com tantas mutações, não só no tocante à imunização, mas também quanto às suas capacidades prevenir casos mais graves da COVID-19. Segundo a Pfizer, uma vacina específica demoraria pelo menos 100 dias para ser criada.

Há duas semanas estamos dando ênfase à discussão mais doméstica relacionada à aprovação da PEC dos Precatórios. Esse assunto teve alguma evolução durante a semana e com os percalços naturais desses processos de negociação, deve caminhar para aprovação nas próximas semanas. Esse é ainda o cenário com que trabalhamos. 

A volatilidade deve permanecer alta, porém, pelo menos por enquanto, não avaliamos ser prudente fazer qualquer alteração significativa nos nossos portfólios.

Fiquem todos bem e aproveitem o fim de semana com suas famílias!

Edu Castro
Chief Investment Office
Portofino Multi Family Office

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Eduardo Castro é CIO (Chief Investment Office) na Portofino Multi Family Office.

”Causa e Efeito” é um conteúdo exclusivo para clientes Portofino que traz uma visão técnica sobre o que aconteceu no mundo, na semana e seus reflexos nos mercados financeiros globais.